Comando Vermelho ameaça famílias do acampamento Terra Santa, zona rural de Porto Velho

Câmeras de segurança flagraram uma a
ção de extrema violência protagonizada por três homens fortemente armados na zona rural de Porto Velho. Os homens entraram no acampamento Terra Santa para ameaçar e tentar sequestrar um dos moradores daquela região, mas a reação da comunidade formada por cerca de 80 famílias impediu a ação dos criminosos.
Durante a ação de intimidação, um dos homens afirma que o grupo integra a facção criminosa Comando Vermelho. No vídeo gravado pela câmera de segurança instalada pelos camponeses aparecem dois homens, um deles caminha ao lado da caminhonete com uma arma de grosso calibre em punho e efetuando diversos disparos contra o acampamento.


Após os disparos a comunidade se movimentou e reagiu até iniciar uma discussão com os criminosos, um dos moradores gravou com o celular um trecho da confusão, no vídeo é possível ouvir um dos homens dizendo, “é filho de bandido, é tudo bandido é Comando Vermelho entendeu”.
veja o vídeo
Depois do ocorrido, um dos acampados ainda relatou ameaças e violências sofridas: “Um dos homens perguntou se eu tava tirando foto e apontou a arma pra o meu lado, querendo ver meu celular. Perguntei pra eles se era da Polícia. Disseram que eram da Polícia Civil. Perguntei pelo distintivo, mas aí eles não gostaram, pediram para eu desbloquear a tela do telefone, tiraram fotos e passaram arquivos para outro aparelho”, afirmou a vítima, acrescentando que os suspeitos somente foram embora por causa do barulho de foguetes disparados por pessoas da comunidade. “Se não fosse os foguetes, nem sei o que eles iriam fazer comigo”.
As famílias registraram ocorrência, e entregaram os vídeos e fotografias dos agressores, além da foto e placa do veículo. Também foram encaminhados para a Comissão de Direitos Humanos da OAB de Rondônia, Ouvidoria Externa da Defensoria Pública do Estado, Comissão Nacional de Combate à Violência, Ouvidoria Agrária do Ministério de Desenvolvimento Agrário, Ministério Público de Rondônia, Conselho Estadual e Conselho Nacional de Direitos Humanos, além da Corregedoria da Polícia Civil de Rondônia.

Foram solicitadas medidas de segurança para as famílias que vivem na Gleba Seringal Belmont. São 80 famílias residindo na área de terra pública, reivindicada para reforma agrária. A Comissão Pastoral da Terra também solicitou a identificação e investigação dos locatários e passageiros do veículo utilizado pelo grupo armado.


A área de aproximadamente de 150 hectares está em disputa há pouco mais de três anos. No final de 2023, depois de um ano acampadas no Incra e no Parque Natural de Porto Velho, o Judiciário determinou que as famílias retornassem a Gleba Seringal Belmont e aguardassem na área a decisão final do processo que corre na Justiça.
A decisão foi expedida pela 8ª Vara Cível de Porto Velho, que levou em consideração a vulnerabilidade das famílias acampadas, os danos ambientais e a saúde pública provocados pela ocupação irregular. Na época o representante das famílias comemorou a decisão da Justiça.
“É uma sensação de alívio, de justiça, de esperança de voltar para os nossos lugares, de onde a gente saiu. Nós ficamos sem lar, tivemos que ir morar nas redondezas do Incra. Passamos um ano no Incra e de lá viemos para o Parque Natural aguardar a Justiça, que hoje chegou”, disse, na ocasião.
Após o retorno a Gleba Seringal Belmont, as famílias passaram a conviver com o medo das frequentes ameaças de morte.
Por Kanoê Mapinguari
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